O que vem à sua mente ao pensar em opções de lazer e turismo?

Essa pergunta é uma provocação e, convite à reflexão sobre onde e em quais atividades investimos nossa energia durante o tempo livre que temos. Em algumas cidades brasileiras há uma oferta de áreas verdes e espaços públicos tais como praças e parques urbanos, por exemplo, que precisam de mais apropriação por parte da população como seu patrimônio ambiental e cultural.  Essa constatação nos convida a questionar: será que os mogianos conhecem e valorizam as belezas naturais e culturais de seu município? Será que optamos, quando possível e acessível, por programas que contemplem não apenas o consumo nos centros comerciais, mas sim o contato com a natureza, artes, esportes, que tanto nos faz crescer fisicamente e culturalmente? Quais são nossas prioridades ao decidir sobre as nossas vivências no final de semana com os nossos filhos, familiares e amigos? Nesse contexto, Mogi das Cruzes ganhou o título de Municípios de Interesse Turístico (MIT) em 2018, que é um reconhecimento de seu potencial turístico, o qual precisa ser “re-conhecido” pelos próprios mogianos.

A área em vermelho delimita os limites do município de Mogi das Cruzes, no estado de São Paulo (SP).

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o município de Mogi das Cruzes possui cerca de 712,541 km² de extensão, e conta com uma população de 387.779 habitantes conforme o censo realizado em 2010. No entanto, estima-se que atualmente a população seja de 445.842 habitantes. O município de Mogi das Cruzes está inserido no bioma Mata Atlântica e, possui ainda alguns remanescentes florestais em áreas protegidas como o Parque Natural Municipal Francisco Affonso De Mello – Chiquinho Veríssimo, na Serra do Itapeti. Esse parque possui uma área de 352,3 hectares, e atualmente é um ponto de referência para a comunidade científica e um referencial para os moradores do município, pois ocorrem visitas monitoradas.

No Parque Natural Municipal Chiquinho Veríssimo está situado um dos atrativos turísticos da cidade que é o Pico do Urubu, o qual possui cerca de 1.140 m de altitude. Assim, é considerado um dos atrativos do turismo no município por oferecer a prática de vôo livre o ano todo. Mas, embora esse local seja um cartão postal do município de Mogi das Cruzes, não há infraestrutura adequada que sirva de suporte ao visitante tais como banheiros públicos, cestas para coleta de lixo, área de estacionamento delimitada e sinalização. Dessa forma, o fornecimento de infraestrutura é uma responsabilidade dos órgãos gestores do município e, essa precariedade no âmbito das estruturas e equipamentos que apoiam a visitação denota a necessidade de mais eficiência na gestão e manejo desses espaços públicos. Nesse contexto, o papel dos munícipes e visitantes também é essencial, uma vez que ao longo do trajeto rumo ao Pico do Urubu encontram-se diversos pontos nos quais há descarte inadequado de lixo e outros resíduos sólidos, o qual é realizado pelos frequentadores do local. Portanto, tanto o poder público quanto a sociedade civil precisam se alinhar com ações que conservem e cuidem dos espaços públicos e atrativos turísticos presentes em nosso município.

Visão panorâmica da cidade de Mogi das Cruzes – SP a partir do mirante no Pico do Urubu, na Serra do Itapeti.

E, além do ecoturismo em Mogi das Cruzes, que por si só já se mostra como um grande atrativo para frequentadores do município e também para turistas de outras localidades, temos outros espaços com expressiva beleza e importância cultural. Nesse contexto, os parques Centenário e Leon Feffer, Casarão do Chá e o centro histórico de Mogi das Cruzes são alguns exemplos de localidades que proporcionam para os visitantes contato com a natureza e cultura do nosso município. Poderíamos fazer uma densa descrição dos pontos citados acima, destacando suas belezas e atrativos, mas faremos apenas do Parque Leon Feffer, como forma de exemplificar e mostrar um olhar que talvez muitos mogianos desconheçam.

Localização geográfica dos atrativos citados no artigo.

Inaugurado em 2004, o Parque Leon Feffer traz uma série de atrações que fogem aos roteiros mais “badalados” de Mogi das Cruzes, como por exemplo, o Shopping do município. No Leon Feffer o visitante terá a possibilidade de ter contato com uma área verde de aproximadamente 26 hectares. Além do contato com a natureza, atividades físicas podem ser desenvolvidas no parque, tendo como fundo o famoso rio tietê e seus meandros (caminho tortuoso). Há também o campo de futebol, quadras poliesportivas, quadras de voleibol, playgrounds, pista de skate, quiosques nos arredores do lago, atrações artísticas (teatro e música), as quais embelezam ainda mais todo o cenário.

Nos parece que temos um potencial natural gigantesco e uma cultura riquíssima em Mogi das Cruzes, mas que muitas vezes desconhecemos ou não temos acesso, sobretudo nos bairros periféricos. Precisamos começar a discutir e valorizar nosso patrimônio ambiental e cultural, pois só assim poderemos pressionar o poder público para iniciativas sérias e verdadeiras, que contemplem todos da nossa cidade, principalmente os mais vulneráveis e que estão nas periferias do nosso município.

 

Autores

Regina Freitas. Bióloga e educadora. Possui bacharelado e licenciatura em Ciências Biológicas pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São Paulo e é particularmente interessada em manejo florestal, recursos naturais e dimensões humanas na conservação. Tem experiência de trabalho em: conservação, manejo florestal, ecologia de palmeira juçara (Euterpe edulis), produto florestais não-madeireiros (PFNMs) e educação.

 

Renan Castro. Graduado em Geografia licenciatura pela Universidade Federal de Alfenas (2015), mestrado em Planejamento e Gestão do Território pela Universidade Federal do ABC (2017). Atualmente atua como professor de geografia da rede pública municipal de educação de São Paulo. Tem experiência com temas relacionados à migração internacional na perspectiva da integração, história do pensamento geográfico e docência na área de geografia. Membro do “Grupo de Estudos Regionais e Socioespaciais – GERES” da UNIFAL/MG. Áreas de interesse: educação, ensino de geografia, migração internacional, integração de imigrantes e geografia da população.

Muirapaié Educação e Sustentabilidade

A Muirapaié é uma organização que tem como propósito prover soluções que transformem a qualidade da relação das pessoas com os recursos naturais. Assim, busca promover mudanças nos setores da educação e da sustentabilidade com o objetivo de gerar benefícios sociais e conservação dos recursos, por meio de processos educacionais inovadores e práticas socioambientais.

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